A felicidade depende do nosso relacionamento com Deus e com o próximo


O menonita Ronald Sider, 71 anos, vive em Filadélfia, a terra natal dos Estados Unidos, e vai comemorar suas bodas de ouro com a terapeuta familiar Arbutus Sider este ano. Ele é doutor em história pela tricentenária Yale University e professor de teologia, ministério holístico e políticas públicas. Sider é fundador e presidente da organização Evangélicos pela Ação Social e se tornou conhecido por causa de seu revolucionário livro “Cristãos Ricos em Tempo de Fome” (1977). Muita coisa tem mudado nos Estados Unidos e em todo o mundo graças ao ministério profético de Ronald Sider, que consegue tratar de temas difíceis com humildade e equilíbrio. Ele é autor de mais de vinte livros, entre os quais, O Escândalo do Comportamento Evangélico (Ultimato, 2005).

Qual foi a reação a sua carta aberta ao presidente Barack Obama, publicada na revista “Prism” em janeiro de 2009?
Houve alguns ataques por parte de “evangélicos sionistas”, mas a maioria das reações foi positiva.

O crescimento do consumo tem relação com o crescimento da economia mundial? Quanto mais rica uma sociedade ou uma família, mais consumista ela será?
Prefiro falar de produtividade, produção de riqueza, consumismo e materialismo. A produção de riqueza é algo bom. O Criador fez os seres humanos à sua imagem e nos deu a maravilhosa tarefa de transformar os aspectos da criação em novas formas de civilização, arte e aperfeiçoamento humano. Muitas coisas que uma grande riqueza proporciona (alimentos em abundância, moradias adequadas, educação, saúde, viagens para admirar o belo mundo que Deus fez etc.) são boas e desejáveis. No entanto, precisamos produzir riqueza de forma justa para todos (especialmente para os trabalhadores) e sustentável para as próximas gerações.

Consumir os bens da produção de riquezas é bom até certo ponto. Porém, quando nos tornamos mais focados em cada vez mais coisas, em vez de voltarmos a atenção para Deus e o próximo, distorcemos os dons de Deus.

É uma inverdade dizer que, porque fomos capazes de produzir muito dinheiro, devemos gastar cada vez mais com nós mesmos. O aumento da riqueza deve resultar em mais generosidade para abençoar e capacitar outros, especialmente os mais pobres.

Uma pesquisa feita no Reino Unido mostrou que as pessoas eram mais felizes nos anos 50 do que hoje. Essa parafernália tecnológica prejudica o sentimento de segurança, realização e felicidade?
O avanço da tecnologia pode trazer bênçãos e alegria ou mal e destruição. Depende de como a usamos. O aumento de riquezas que experimentamos hoje poderia ser uma bênção se tivéssemos clareza de que a riqueza é apenas uma forma de fazer a obra do reino de Deus e que a verdadeira felicidade vem primeira e principalmente por meio de um relacionamento correto com Deus e o próximo.

O que precisa acabar primeiro: a propaganda ou o consumo?
Não quero que o consumo acabe — a não ser o consumo impensado (o “consumo” de um bom sistema de saúde é algo de que eu gostaria que cada pessoa na terra pudesse desfrutar). Porém, a propaganda geralmente prega a grande mentira de que podemos obter alegria e satisfação por meio de bugigangas, e não por meio de relacionamentos corretos. Precisamos aprender a rir da maioria das propagandas e ignorá-las.

A teologia da prosperidade estaria impulsionando os crentes a serem cada vez mais consumistas?
O evangelho da prosperidade é uma heresia. Ele dá muito destaque a uma parte da Bíblia (que diz que a riqueza é um dom de Deus) e ignora outras (as pessoas geralmente enriquecem oprimindo outras; a riqueza é perigosa; Deus tem uma preocupação especial para com o pobre). Ele certamente dá uma ênfase antibíblica à riqueza e ao consumo.

Qual a diferença entre a teologia da libertação e a teologia da prosperidade?
A teologia da libertação focaliza a preocupação de Deus com o pobre (todos os pobres) e reivindica justiça para todos. Já o foco da teologia da prosperidade é o eu e a riqueza própria.

Você tem grande entusiasmo pelo potencial da juventude. Qual é a contribuição mais importante e mais urgente que os jovens podem dar à sociedade?

A melhor coisa que os jovens cristãos podem fazer é se tornar discípulos radicais de Jesus e viver como ele em cada área da vida. A falha moral e a conformidade cultural de muitos cristãos ameaçam fundamentalmente a credibilidade do evangelho. As pessoas são fortemente atraídas a Jesus e àqueles que ousam verdadeiramente segui-lo.

Você afirmou várias vezes que devemos colocar Jesus “no centro”. O que isso significa na prática?
Significa perguntar: Como Jesus quer que eu use meus bens, que eu viva minha vida sexual, que eu dirija meu negócio, que eu me envolva na política, que eu me comporte como esposa, como pai etc.? Significa deixar Cristo ser o Senhor de cada parte de nossa vida.

A busca por santidade pessoal torna o crente alienado? O ativismo prejudica a busca por santidade?
Como John Wesley ensinou tão claramente, não deveria haver contradição ou desarmonia entre a santidade pessoal e a social. De acordo com a Bíblia, o pecado é pessoal (mentir, roubar, cometer adultério) e social (participar de estruturas socioeconômicas injustas). Precisamos de boas pessoas e de bons sistemas. Pessoas corruptas minam inclusive bons sistemas e pessoas boas promovem melhores estruturas.

Em sua palestra no Centro Evangélico de Missões, em Viçosa, MG, você afirmou que hoje há mais justiça no mundo do que alguns anos atrás. Que dados justificam isso?
Eu disse que obtivemos sucesso na redução da pobreza. Em 1970, cerca de 35% das pessoas nos países em desenvolvimento eram cronicamente desnutridas; hoje são apenas 20%. Em 1980, apenas 20% das crianças em países em desenvolvimento recebiam vacinas contra doenças infantis básicas, como o sarampo; hoje são 80%. Isso é um progresso admirável. Porém, existe pelo menos 1 bilhão de pessoas que tentam sobreviver com 1 dólar por dia. Ainda há muito por fazer.

Como protestantes e católicos poderiam, sem abrir mão de suas diferenças capitais, diminuir a hostilidade mútua em benefício do testemunho cristão frente aos desafios comuns?
O ponto de partida é lembrarmos o quanto temos em comum. Tanto católicos quanto protestantes acreditam que: a) Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem; b) Deus é Pai, Filho e Espírito; c) a morte de Jesus na cruz é o único caminho para a salvação; d) Jesus ressuscitou corporeamente da morte e voltará para nos ressuscitar corporeamente da morte; e) a Bíblia é a revelação especial, crível e confiável de Deus; f) a agenda política cristã deve ser em favor da vida, do pobre, da família, da paz, da integridade sexual e do cuidado com a criação.

Existem importantes diferenças teológicas que não devem ser ignoradas. Porém, prefiro focar nas bases comuns e não nas diferenças; trabalhar juntos na agenda sociopolítica que temos em comum e orar para que eventualmente possamos progredir na resolução das nossas diferenças teológicas significativas.

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Como terra seca

Como terra seca
Sedenta por água
Me volto para Ti

Pelo frescor da Tua voz
Pelos rios que correm de Ti
Minha alma se dessedentará

Mais que uma rotina
Mais que uma necessidade
Mais importante que o ar
Mais vital que as batidas do meu coração
Tais, são para mim, Tuas palavras, Tua presença, Tua amizade, Tua voz

Como terra seca
Sedenta por água
Meu ser clama por vida
Minha vida morre sem a vida Tua

Deixa-me ver, ao menos que, de costas seja
O brilho do Teu rosto
Deixa-me, no silêncio da manhã, ouvir, os sons dos teus passos,
As batidas do teu coração.

Como terra seca
Sedenta por água
Venho a Ti, me encontro em Ti
VIVO EM TI.

Hábitos que transformam

Ricardo Barbosa de Sousa

Em 1989, o reverendo John Stott veio ao Brasil para falar num dos congressos da VINDE — Visão Nacional de Evangelização. Depois de uma de suas palestras, nos reunimos para conversar com ele. Era um grupo pequeno de jovens pastores, sentados em torno de um dos maiores expositores bíblicos da nossa geração, perto de completar 70 anos. A conversa seguiu animada. Ele nos deu liberdade para perguntas pessoais e, entre outras, não faltaram aquelas sobre o porquê de não se casar.

Porém, de todas, guardei apenas a resposta que ele deu quando lhe perguntaram sobre a razão do seu longo ministério tão frutífero. Ele respondeu: “Leio a Bíblia e oro todos os dias, vou à igreja todos os domingos e nunca falto à celebração da Eucaristia”. A resposta foi surpreendente por sua simplicidade.

Sabemos que ler a Bíblia e orar todos os dias, ir aos cultos e participar da Ceia nunca foram, por si só, sinais confiáveis de espiritualidade, muito menos um caminho seguro para a maturidade. Muitas pessoas fazem isso por puro legalismo. Por outro lado, sabemos também que não fazer nada disso é um caminho seguro e certo para o fracasso espiritual.

O doutor James Houston, criticando o abandono da leitura devocional em nossos dias por uma literatura funcional e pragmática, afirma: “Os hábitos de leitura do chiqueiro não podem satisfazer a um filho e aos porcos ao mesmo tempo”. Ao usar a imagem da Parábola do Filho Pródigo, ele nos chama a atenção para o risco de nos acostumarmos com a vida do chiqueiro. Para Houston, as práticas devocionais nos ajudam a perceber que existe algo maior e mais excelente na vida de comunhão com o Pai.

O reverendo A. W. Tozer (1897-1963) escreveu um artigo afirmando que “Deus fala com o homem que mostra interesse”, e que “Deus nada tem a dizer ao indivíduo frívolo”. Mais do que cultivar o hábito de ler a Bíblia, orar e participar do culto, o que na verdade fazemos quando cultivamos estas práticas devocionais é demonstrar o interesse vivo que temos por Deus e por sua Palavra.

Da mesma forma como a vida necessita do básico (ter o suficiente para comer e vestir, onde descansar), a natureza da vida espiritual repousa sobre o que é essencial (Bíblia, oração, comunhão, adoração e missão). São esses hábitos básicos que nos colocam no lugar onde podemos experimentar a graça de Deus e crescer.

Há hoje muita oferta para a vida e para a espiritualidade. A sedução do supérfluo despreza o essencial. Vivemos o grande perigo de negar o básico, achando que podemos experimentar a graça de Deus e provar sua bondade e amor sem nos aquietar e deixar que sua Palavra molde nosso caráter, que a oração fortaleça nosso espírito e que a comunhão nos sustente em nossa identidade como povo de Deus.

As disciplinas espirituais básicas cultivadas pelo reverendo Stott ao longo de sua vida formaram seu caráter como cristão. Nada pode substituir a prática diária da oração nem a leitura devocional das Escrituras. Nada substitui o valor do culto comunitário nem o mistério da Eucaristia(ceia). O cultivo destas disciplinas requer de nós não apenas tempo e perseverança, mas também humildade e coragem para sermos transformados pelo poder de Deus.

Deus não nos chamou para a realização pessoal, mas para a comunhão pessoal e íntima com ele e o próximo. Deus não nos chamou para sermos operários agitados do seu reino, mas para amá-lo e amar ao próximo de todo o coração. Os hábitos devocionais libertam-nos da “normalidade” do chiqueiro e nos transportam para uma existência de comunhão com Deus que enobrece a vida. São estes hábitos que preservam nossos olhos voltados para o alto, para que, aqui na terra, nossa existência ganhe a grandeza dos ideais divinos.

As práticas devocionais fazem parte do processo formativo da alma diante de Deus. Precisamos cultivá-las a fim de permanecermos em sintonia com o reino de Deus, que molda o nosso caráter em Cristo. É a palavra de Deus que devolve a vida aos “ossos secos” da agitação moderna.

• Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de “Janelas para a Vida” e “O Caminho do Coração”.

Em novembro de 1989, o mundo mudou. O Muro de Berlim, símbolo mais visível de uma divisão entre o Oriente e o Ocidente, foi derrubado enquanto as pessoas afirmavam seu desejo pela liberdade.

O fundador da Portas Abertas, Irmão André, acompanhou as consequências vividas pelos cristãos no país, desde a inauguração do Muro, em 1961 até sua queda.

A Igreja Sujeita ao Comunismo

O Muro de Berlim foi inaugurado em 13 de agosto de 1961. O fundador da Portas Abertas, Irmão André, foi um dos primeiros a passar por um dos postos de controle, Charlie. Ele tem uma lembrança vívida do impacto do Muro: “A multidão de refugiados sujeita a regras comunistas parou durante a noite. Não havia saída, ninguém podia escapar. O resultado foi uma onda de suicídios, incluindo alguns pastores evangélicos. Eles perderam a esperança”.

Havia um claro confronto ideológico e de valores. Um pensador comunista disse: “A responsabilidade do comunismo é ser militante ateu, um lutador ativo para a pureza da ideologia soviética e para uma erradicação completa do preconceito religioso”.

Além disso, havia um regime baseado em um controle rígido. A Igreja estava isolada e vivia sob ameaças. O colega do Irmão André, Johan Companjen, explica: “Os comunistas não toleravam os cristãos. Os cristãos caíram totalmente no abandono. Um pastor na Hungria disse: ‘Ninguém sabia onde eu estava, nem mesmo a minha família. Obrigado por vir’. Então, ele chorou muito. A polícia tinha fechado a igreja dele e o levado preso”.

Mas, apesar das ameaças, detenções e prisões, o Irmão André diz que a Igreja mostrou força.

Ele nunca gostou do termo “Igreja clandestina” e explica: “Um cristão verdadeiro não pode ser clandestino, a Igreja não pode ser clandestina – ela foi chamada para proclamar ousadamente o evangelho e não para ser intimidada pelo inimigo”.

A origem da Portas Abertas veio da determinação do Irmão André em fortalecer a Igreja Perseguida. Ele começou a fazer várias visitas, levando Bíblias através do posto de controle, orando para que os guardas não o vissem com elas e, pedindo para que Deus os “cegassem” quando ele passasse.

Centenas de milhares de Bíblias foram entregues. Sua convicção era que os cristãos que viviam sob este tipo de pressão precisavam de encorajamento e da força que podia ser encontrada na Palavra de Deus.

Ele comentou: “A Igreja Perseguida tem muito mais a nos ensinar do que nós a ela. Olhar o modo como eles perseveraram sob oposição, amar a Deus e perdoar àqueles que os torturavam é algo que nós precisamos aprender e a nossa sociedade também”.

FLEXA NO MY SPACE

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ESSE AI COMIGO É MEU PRECIOSO AMIGO FLEXA. AGORA VC JÁ PODE CURTIR ALGUMAS CANÇÕES DELE.

ELE ESTÁ NO MY SPACE:

http://www.myspace.com/filipeflexa

O BRADO DO AMALDIÇOADO

Moda e Evangelismo

Para saber mais sobre a Virá acesse: http://usevira.worpress.com